Seja como uma flor — Aspiração
Sobre as flores, o Yoga Integral e a aspiração que abre caminho à Graça.

A Mãe amava as flores e realizou um trabalho profundo sobre suas mensagens e seus significados. Estava sempre cercada de flores e as oferecia aos sādhakas, com intenção específica e bênçãos, conforme a necessidade de cada sādhana, de cada aspiração.
Para A Mãe, as flores poderiam, com sucesso, substituir as imagens védicas, pois carregam em si o Poder Divino e são universais. Cada um pode se conectar com elas, de acordo com seu nível de consciência. A ponte para esta conexão, nada mais é, que o amor. Devemos amá-las. O Poder imanente das flores é sutil, característica do Ser Psíquico, que se expressa de forma silenciosa. O ser humano, mais ligado aos planos vitais da existência, nem sempre consegue apreciar a Beleza e o esplendor de uma flor.
A Mãe nos ensina que devemos ser como as flores. Devemos cultivar em nosso ser as refinadas qualidades da flor, que é aberta, sincera, equânime, generosa e gentil. Nosso ser exterior, assim, poderá ser transformado integralmente, se aceitarmos, como uma flor, nos abrirmos à luminosidade solar e nos aventurarmos a trilhar o caminho ensolarado.
O Yoga Integral não exige a execução de ásanas, práticas respiratórias (pranayamas), entoação de mantras, nem mesmo shastras, pois neste caminho o Shastra supremo é o eterno Veda, secreto no coração de cada ser vivente e pensante. Segundo Sri Aurobindo, há dois poderes, que, unicamente eles, devem ser conjugados para atingir o objetivo do Yoga Integral: uma aspiração firmemente estabelecida, que chama de baixo, e uma Suprema Graça do Alto que responde.
A aspiração é fundamental para o sādhaka, cujo esforço deve consistir em um tríplice labor formado de aspiração, rejeição e entrega. Deve-se rejeitar todos os movimentos não divinos e se entregar totalmente, consagrar-se ao Divino, à Mãe, para a completa transmutação.
A aspiração deve ser vigilante, constante e incessante. Deve atuar em todos os aspectos do ser: físico, vital, mental, psíquico e espiritual. A vontade da mente, a busca do coração, o consentimento do ser vital, a vontade de abrir e tornar plástica a consciência e a natureza físicas.
Para a Mãe, a aspiração é como uma flecha, que sobe e é capaz de superar qualquer obstáculo; como a água é capaz de perfurar uma rocha, a aspiração pode superar toda rigidez presente na natureza inferior e fazer jorrar a luz presente no interior de todo ser.
No reino vegetal, podemos facilmente observar a aspiração e nos inspirar. Desde a ruptura da semente, as plantas fazem um movimento de ascensão em direção ao sol. Uma busca incessante por uma maior proximidade da luz. Os raios solares são traduzidos em belas flores, suculentos frutos, deliciosos aromas e cores vibrantes. Segundo a Mãe, se meditarmos à noite e nos aproximarmos das árvores, podemos sentir que elas estão com uma imensa saudade da luz que se foi e que anseiam sentir novamente o calor solar.
A Capparis brevispina representa, segundo a Mãe, uma tripla aspiração, que reconhecendo seu Mestre, vida e luz respondem à Sachchidananda.
“Ó Senhor, minha adoração se eleva ardentemente para Ti, todo meu ser é como uma aspiração, uma chama a Ti consagrada. Ó Senhor, meu doce Mestre, és tu que vives e queres em mim! Este corpo é Teu instrumento; esta vontade é Tua servidora, esta Inteligência é Tua ferramenta; e o todo não é senão Tu mesmo.” — A Mãe, Preces e Meditações, 4 de abril de 1914.

Publicado originalmente em Sādhana — Revista Digital, Ano 1, Vol. 1, dezembro de 2022 (Comunidade Internacional Sri Aurobindo — Mirra), pp. 53–56.
- La Madre. Plegarias y Meditaciones.
- Sri Aurobindo. The Synthesis of Yoga.
- Sri Aurobindo. The Mother.
- The Mother. Flowers and Their Messages. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram, 2000.
- The Mother. The Spiritual Significance of Flowers. Pondicherry: Sri Aurobindo Ashram, 1992.
